quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Observando o Território (Por Murilo Chaves)






A Atta sexdens, popularmente conhecida como formiga saúva, possui assim como as outras formigas exoesqueleto de quitina, corpo dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome, três pares de pernas, um par de olhos e quelíceras. Vive em matas, áreas abertas e também em algumas lavouras de todo o Brasil. 



A formiga representada na foto é a fêmea da Atta sexdens, popularmente conhecida como içá e/ou tanajura, esta, tem aproximadamente 4cm de comprimento, 1cm de altura (se desprezando os pés) e 1cm de largura.

Nos meses de outubro a dezembro novas colônias dessa formiga são formadas através do vôo nupcial. As fêmeas, pelo fato de serem maiores possuem uma fácil distinção perante o macho. Os machos alados são chamados de 'bitus' e possuem cabeça e mandíbulas menores do que as da rainha.

Entre as fêmeas são organizadas as seguintes castas: rainha, jardineira, cortadeira e soldado. As rainhas são as maiores formigas do formigueiro e podem ter várias delas em uma mesma colônia; ganham asas no período de acasalamento e as perdem minutos depois da copulação; a sua função principal é de por ovos para gerar novas colônias. A jardineira é a menor formiga da colônia e tem como função de triturar os pedaços de folha e colocá-las a disposição do fungo.
As formigas no geral, não se alimentam de folhas como é difundido pela mídia, apenas as utilizam para cultivar fungos que são a sua real fonte de alimento. As cortadeiras possuem um tamanho mediano perante as outras e têm a função de cortar pedaços de folha e levá-los ao formigueiro. As soldados possuem cabeça e quelíceras maiores do que as outras e têm a função de proteger o formigueiro.

O interessante é que a formiga da foto foi capturada e posta dentro de uma garrafa plástica e em vários momentos ela demonstrou conhecer a saída da garrafa, embora a mesma estava com sua tampa posta.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/http://www.vivaterra.org.br/ e http://revistagloborural.globo.com/

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A TERRA E A ÁGUA por Isabel Belasco

Da terra brota o olhar estonteante
Inebriante de um novo Saber
Brota um ramo verde inocente
Que dirige para um novo amanhecer

Jorra a água das mentes brilhantes
Ofuscantes de prazer em conhecer
Jorra do fundo da alma a visão ampla
Provocando e modificando o Ser

Quanto gira a Terra, que nem podemos ver
Quantos dias, anos, que mal podemos viver
Mal sabemos o quão importante é
Cada volta, cada viravolta que a vida dá

Quanto tempo, quanto vento, quanto tento
Tentamos saber em todo o tempo
E mal sabemos o que seremos
Talvez se o soubéssemos não seríamos

Pois cada volta, gira e solta
A imaginação fértil vai e volta
Jorrando como uma fonte cristalina
Linda  da cor da turmalina

Medos e segredos,
Sofismas e cismas
Ler ou não ler
Enfim, ser, ou não ser...


ÁGUAS Poema de Manuel de Barros compartilhado por Zierley Jardim do CUNI de Itamaraju


“Desde o começo dos tempos águas e chão se amam. 
Eles se entram amorosamente 
E se fecundam. 
Nascem formas rudimentares de seres e de plantas 
Filhos dessa fecundação. 
Nascem peixes para habitar os rios 
E nascem pássaros para habitar as árvores. 
Águas ainda ajudam na formação das conchas e dos 
caranguejos. 
As águas são a epifania da Natureza. 
Agora penso nas águas do Pantanal 
Nos nossos rios infantis 
Que ainda procuram declives para correr. 
Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas 
para o alvoroço dos pássaros. 
Prezo os espraiados destas águas com as suas 
beijadas garças. 
Nossos rios precisam de idade ainda para formar 
os seus barrancos 
Para pousar em seus leitos. 
Penso com humildade que fui convidado para o 
banquete destas águas. 
Porque sou de bugre. 
Porque sou de brejo. 
Acho que as águas iniciam os pássaros 
Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes 
E acho que as águas iniciam os homens. 
Nos iniciam. 
E nos alimentam e nos dessedentam. 
Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as 
plantas, de todas as pedras. 
Louvo as natências do homem do Pantanal. 
Todos somos devedores destas águas. 
Somos todos começos de brejos e de rãs. 
E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios 
destas águas. 
Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes 
líquidas 
E carrega de umidez as suas palavras. 
Penso que os homens deste lugar 
são a continuação destas águas.”